Direto de Brasília

DIFICULDADES DE TEMER ANIMAM PARTIDOS QUE INSISTEM POR DIRETAS JÁ. SEM QUALQUER PREOCUPAÇÃO EM RASGAREM A CONSTITUIÇÃO MAIS UMA VEZ.

Meus caros leitores, confesso que sinto certo constrangimento por ter acompanhado de perto a elaboração e depois a promulgação da Constituinte Cidadã de 1988 e ver agora ela constantemente ser remendada para servir nem sempre a objetivos republicanos. Pior, por gente que ajudou a escrever a Carta promulgada por Ulisses Guimarães. À época, acompanhei de perto os trabalhos pois criei, através da Agência Apoio dos irmãos Maia, o primeiro jornal da Constituinte na TV brasileira. Fato aliás ignorado por alguns “historiadores” que chegaram a indicar premiados pela participação esquecendo, deliberadamente ou por um trabalho superficial, de lembrar pelo menos da agência que teve a visão de fazer antes o que posteriormente foi copiado até pelas grandes redes. O Jornal da Constituinte existiu sim e foi transmitido pela TV Nacional, TV Guaíba(RS), TV Barriga Verde(SC) e TV Iguaçu(PR).  Além de prever a questão eleitoral e a vacância dos principais mandatários do País, um artigo foi intensamente debatido sob o comando de alguns deputados como Brandão Monteiro, Amauri Muller, Plínio de Arruda Sampaio, Nelson Jobim e tantos outros, que, objetivamente queriam colocar na Carta Cidadã um artigo singelo, simples, mas de alcance inimaginável, ou premonitório ; “ todo cidadão deve declarar e provar a origem de sua riqueza”. Por razões óbvias e apesar do empenho de cerca de 40 parlamentares, não foi aprovado. Daí que temos certas brechas, que poderiam ser supridas evitando este enriquecimento vertiginoso de alguns, sem que a origem seja exigida. E eles estão aí. Pois agora, estão propondo emendar ou rasgar a Carta para atender, flagrantemente, a interesses no mínimo fisiológicos. Realizar eleições diretas a menos de um ano das eleições normais, é oportunismo flagrante. Mas é o que estão propondo sob o argumento inclusive de que querem “cercear o direito de voto do cidadão”. Tenham paciência, senhores! Não desdenhem de nossa inteligência. Proponham renúncia coletiva e eleições gerais, é mais decente. Se demonstrarem verdadeiro dever cívico, proporiam que ninguém, dos atuais ocupantes de cargos, pudesse concorrer aos mesmos! Vocês acham que este Congresso que aí está, tem coragem para tanto? Pior ainda, falam que este Congresso não tem legitimidade para realizar eleições indiretas, mas para mudar a Constituição, aí tem? Me poupem.  Não me venham com esta conversa de “onça trepada em pé de maxixe”. E logo agora que o Q-Suco está fervendo para alguns! Direto de Brasília, José Woitechumas. 

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