Divã

Crônica 354 – A sexualidade e o amor

Amor, amor, amor, palavra pronunciada em todos os cantos do mundo. Amor que move montanhas, amor que traz felicidade, desespero e dor. Amor que dá vida e amor que mata. Canções e poemas nos mais variados idiomas enaltecem o amor. Religiões que apregoam o amor ágape, incondicional, o amor que impulsiona o indivíduo a uma conquista a qualquer custo e o que cria a força para defender seu amor em caso de perigo. Afinal, o que é o amor?Bastante difícil definir o que é esse sentimento que invade a alma e domina o ser, faz sofrer, dá prazer, traz saúde e doenças mentais, constrói e é aniquilador, suicida, carinhoso, agressivo, mortal, possessivo e altruísta, com práticas de solidariedade, ou de luta, em defesa de seus valores. Numa relação sexual, no clímax do prazer, se manifesta o murmúrio “eu te amo” e, alguns instantes depois, tudo isso pode mudar para sentimentos de angústia, raiva e ódio.Segundo Freud, não há amor à primeira vista e, sim, paixão à primeira vista. Paixão é sexualidade que incendeia a libido, capaz de qualquer coisa para alcançar o objeto escolhido como fonte do prazer máximo. A paixão, tão confundida com amor, faz com que o inconsciente adquira uma energia poderosa, dominadora de todos os pensamentos, produzindo sensações desconhecidas e avassaladoras, desequilibrando a mente humana, podendo transportar o ser a um nível de bestialidade capaz de produzir torturas inimagináveis, em nome do amor.De acordo com Platão, filósofo grego, o amor é puro e desprovido de paixões que cegam, são falsas, materiais e efêmeras. A sexualidade se vê mais atada à paixão que incendeia, com euforia pela atração entre duas pessoas e é a fonte da vida de tudo que existe no universo, seguindo a lei universal, quântica, do positivo e negativo.Se não conseguimos compreender claramente as diferenças entre amor e paixão, podemos perceber que é necessário fazer sexo e amar, e que a saúde física e mental se obtém com o equilíbrio dessas duas forças inatas em cada ser humano. A expressão “fazer amor” pode ser uma forma de conciliar a relação de um casal e é 100% humano.

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